setembro 12, 2009

Ser Professor


Ser Professor em Portugal - Missão quase impossível!!
Esta é uma profissão em que se trabalha em casa (de graça, entenda-se) aos sábados, domingos, feriados, madrugada adentro e muitas vezes, até nas férias!
Férias, sim, e sem eufemismos, que bem precisamos de pausas ao longo do ano para irmos repondo forças e coragens. (De resto, é o que acontece nos outros países por essa Europa fora, às vezes com muito mais dias de folga do que nós: 2 semanas para as vindimas em Setembro/ Outubro, mais duas para a neve em Novembro, 3 no Natal e mais 3 na Páscoa , 1 ou 2 meses no verão).
É a única profissão em que se tem falta por chegar 5 minutos atrasado. (também neste caso, exigirá a senhora Ministra um pré-aviso com 5 dias de antecedência?).
É uma profissão que exclui devaneios do tipo hoje preciso de sair meia hora mais cedo, ou o corriqueiro volto já justificando a porta fechada em horas de expediente.
É uma profissão de enorme desgaste!Ainda há bem pouco tempo foi divulgado um estudo que nos colocava na 2ª posição, a seguir aos mineiros, mas isto, está bom de ver, não convém a ninguém lembrar.
É uma profissão que deixou de ser acarinhada ou considerada, humana e socialmente. Pelo contrário, todos os dias somos agredidos na nossa dignidade ou mesmo fisicamente.Enxovalhados na praça pública, atacados e desvalorizados, na nossa pessoa e no nosso trabalho. (e as cordas vocais não são um apêndice despiciendo).
É uma profissão cujos agentes têm de estar permanentemente a 100%.Não se compadece com noites mal dormidas, indisposições várias (físicas e psíquicas) ou problemas pessoais.
É uma profissão em que, de 45 em 45, ou de 90 em 90 minutos, se tem de repetir o mesmo processo, exigente e desgastante, de chegar a horas, "conquistar" várias vezes ao longo do dia, um novo grupo de 20 a 30 alunos e todos ao mesmo tempo. (não se confunda uma aula com uma consulta individual ou a gestão familiar de 1, 2, 3 filhos...).
É uma profissão em que é preciso ter sempre a energia suficiente (às vezes sobre-humana) para, em cada turma, manter a disciplina e o interesse, gerir conflitos, cumprir programas, zelar para que haja material de trabalho, atenção, concentração, motivação e produção. (Batemos aos pontos as competências exigidas a qualquer dos nossos milionários bancários, dos inefáveis empresários, dos intocáveis ministros! ).
É uma profissão em que sofremos, ainda, a angústia do nosso próprio desempenho pelo insucesso dos alunos, o qual depende, igualmente, de factores que não controlamos:- Problemas sociais e relacionais das respectivas famílias, mais a conjuntura política, económica e social do país!Será bom que a “opinião pública” comece a perceber que, nas "imensas" faltas dos professores, são contabilizadas também situações em que, de facto, estão a trabalhar. Como por exemplo:- A fazerem em casa a preparação de aulas (que é o sítio que lhes oferece condições), elaboração ou correcção de testes e afins, porque não é suficiente o tempo atribuído a essas tarefas.- No acompanhamento de alunos em visitas de estudo.- Em acções, seminários, reuniões, etc., para as quais até podem ter sido oficialmente convocados.Se é professor, sabe o quão verdadeiro é o texto acima registado.
Se não é professor, creia que é verdade e apoie quem está a lutar simultaneamente pela dignificação da Carreira Docente e por uma educação de verdadeiro sucesso.
Por favor, reencaminhe este texto para todos os seus contactos, sejam eles professores ou não! Basta para isso, clicar no botão "Enviar Tópico", no canto superior direito.
Obrigado! Veja-o aqui

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Atenciosamente,
A Equipa do Sala dos Professores.

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