janeiro 18, 2005

Cebolinha estará louco?

O Presidente da República, Jorge Sampaio, com a sua visita à China serviu para beneficiar a deslocalização de empresas portuguesas para o mercado chinês. O Chefe de Estado, que se encontra em Macau, última etapa da sua deslocação oficial à China, foi confrontado com acusações de sindicatos portugueses de que estaria, com as suas visitas oficiais, a promover a deslocalização da produção têxtil portuguesa para mercados muito mais competitivos pelos seus baixos salários, como é o mercado da China. Em vez de ajudar ele está a contribuir para a fuga dos 100 empresários que levou com ele à nossa custa e de outros que lhes vão seguir os passos.
LS

12 comentários:

DP disse...

É verdade Luis!Os nossos politicos quando fazem uma visita costumam levar sempre os empresários portugueses para fazer negócios com esses países.O que acontece é que os nossos empresários não são assim tão patriotas e se têm uma possibilidade de mão-de-obra mais barata, esquecem Portugal e esquecem os portugueses.Lembro-me de uma das primeiras medidas do governo de Durão Barroso foi levar os empresários a uma visita a Angola, dizia o primeiro ministro da altura que levava com ele a fina flor de Portugal. Depois de estes anos todos alguém sabe de algum investimento que tenha sido feito com Angola e que Portugal tenha sido beneficiado.O que ficou acordado é que se algum investimento feito pelos empresários em Angola fosse à falência era o governo português que indemnizaria o empresário.Mesmo assim, não tenho conhecimento de algum!O certo é que todos passearam às nossas custas.Ag

Montellano disse...

LS,
Do ponto de vista do empresário o que é mais importante? O lucro. Logo, se pode ter mais lucro em países estrangeiros, é normal que se desloque para lá. E a culpa é do PR?
Já imaginaste a mais valia que pode ser uma fábrica portuguesa na China de, por exemplo, calçado? A nossa óptima qualidade na confecção aliada a preços extremamente baratos de mão-de-obra, talvez signifique exportação de produtos portugueses a nível global.
Por último, tens direito a ter a tua opinião e a expressá-la onde quer que seja. Mas imaginas-te a dizer todas estas palavras directamente ao PR? Incluindo o título?

Anónimo disse...

Tenho uma opinião contrária à tua Montellano! Acho que a mais valia era ter-mos a fábrica cá com os trabalhadores portugueses e exportar-mos o seu produto para a China.Acho que assim é que era mais valia.Ag.

Luis Silva disse...

Porque não Montellano?

Montellano disse...

Ag, claro que isso seria o ideal.
Mas alguma vez conseguiríamos ter um produto tão barato como o chinês?
Apesar dos nossos operários ganharem uma vergonha de um salário, os chineses ganham bem pior! E têm um horário de trabalho mais longo que o nosso. E é por isso que os empresários mudam as fábricas para a China e Europa de Leste.
Na empresa onde trabalho importamos muitos produtos da China, e olha que a qualidade é a que queremos. Mandamos uma bolsa, por exemplo, dizemos que queremos uma igual com o tecido diferente, e uma semana depois recebemos uma amostra! Em Portugal ainda é difícil esta versatilidade, a mentalidade é muito diferente.

LS, não acredito. E até acho bem que não o fizesses: bom senso e boa educação!

Anónimo disse...

A médio e longo prazo é bom para nós que as actividades de mão-de-obra intensiva passem a ser feitas na China e que eles vendam imensos produtos baratos ao mundo, que ganhem imenso dinheiro com essas vendas para depois nos poderem comprar os produtos de alto valor acrescentado que nós vamos produzir com mão-de-obra muito cara porque altamente especializada.Assim, somos nós que ficamos a ganhar. Ou então, na elaboração de produtos que passam por várias fases de fabrico, deixemos os chineses entrar na fase mais simples e tratemos nós das fases que exigem mais saber e qualidade. A tendência dos nossos dias é para um produto ser começado num determinado país, normalmente aquele que fornece a matéria prima e depois passar para outro, ou outros, onde vai recebendo incorporação de componentes cada vez mais complexos, até se obter o produto final. É claro que o país que ganha mais é aquele que tem o saber e a tecnologia mais avançados. Que sejam os chineses a fabricar os produtos, mas que sejamos nós a vender-lhes as máquinas para as cadeias de montagem.
Não quer isto dizer que a China só fabrique produtos de baixa tecnologia. Nada mais falso! Mas foi por aí que eles começaram. Juntaram dinheiro e começaram a investir em alta tecnologia. O problema de Portugal é que anda há décadas a vender produtos baratos e nunca conseguiu juntar dinheiro para investir na alta tecnolgia. Também, muito dinheiro que podia ter sido investido em investigação e desenvolvimento foi para comprar ferraris...

Montellano disse...

Não sei quem é o anónimo, mas essa dos Ferrari não podia estar mais correcta!! O espírito empreendedor em Portugal tem muito que se lhe diga...

Anónimo disse...

O comentário anterior é meu.
manuel

Anónimo disse...

Respondendo à Montellano: O que diferencia uma Europa onde Portugal está integrado e o resto do Mundo e neste caso a China, é que na Europa as pessoas são respeitadas como trabalhadores com seus direitos. Não têm que ser máquinas em que se pensa nelas como mais uma peça de uma engrenagem. Têm para isso o seu tempo livre de lazer, os seus momentos para estar com a família e também para se enriquecer culturalmente. Os trabalhadores europeus lutaram e conseguiram um horário menos duro, melhores salários e direitos que um trabalhador na China só o conseguirá daqui a séculos. Não me admira por isso que a mão-de-obra na China seja muito mais barata e que seja mais apetecível aos olhos dos empresários portugueses. E não vejo qual a vantagem para Portugal se uma empresa portuguesa se deslocaliza para a China., com trabalhadores chineses, impostos pagos na China, e o seu produto vendido mais barato. Só ganha o empresário e o país onde está a empresa nos impostos que arrecada. O ideal é como digo, se as empresas continuassem em Portugal e vendendo para a China, naquele que é considerado o maior mercado do Mundo, seria a cereja no topo do bolo. Ag

Montellano disse...

Ag.,
Já percebi a ideia.
Mas isolar a Europa do resto do mundo, nessa comparação sobre os direitos dos trabalhadores, é esquecer, por exemplo, os EUA.
De resto, eu própria considero uma exploração o que se vai passando na China. Estava apenas a tentar reflectir sobre o tema do ponto de vista "do outro", neste caso, os empresários.

Anónimo disse...

Montellano,concordo com o que dizes!Também ao referir-me a essa comparação estava a falar na pele dos empresários. Para eles não importa os direitos que os trabalhadores têm, mas sim a mão-de-obra barata.Mas aqui também tinhamos um tema para discussão..comparar os EUA e a Europa ocidental na questão dos direitos dos trabalhadores.

Anónimo disse...

Desculpem,falta a asinatura do comentário atrás.Ag