dezembro 09, 2004

De mãos atadas...

A Administração Local lesa estado e trabalhadores, numa prática inadmissível de uso e abuso do Programa Ocupacional para Trabalhadores Subsidiados, mantendo em funcionamento muitos dos seus serviços à custa de trabalhadores inseridos nesse programa.

Mais grave ainda, é o facto de muitos desses trabalhadores exercerem as mesmas funções, no mesmo posto de trabalho, durante anos e anos sem qualquer tipo de vínculo com as entidades “empregadoras”, já que vão passando sucessivamente de contratos a prazo para o da situação de desemprego, vindo a ser posteriormente requisitados ao IEFP através do Programa Ocupacional para Trabalhadores Subsidiados, por outras entidades relacionadas com a entidade da qual o trabalhador é originário.

Assim, o mesmo trabalhador vai passando de Câmaras Municipais para Juntas de Freguesia, empresas municipais e outras entidades participadas da primeira, sendo que o caminho inverso é igualmente useiro e vezeiro.

Este procedimento subtrai alguns números às taxas de desemprego e acaba por lesar o estado na medida em que, ao invés de encaixar algumas receitas através dos descontos para a Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações e IRS, vê o seu orçamento delapidado por fundos de desemprego com a agravante de serem acrescidos em 20%, atribuídos como incentivo ao trabalhador pela sua ocupação.

Olhando para esta situação de uma forma despreocupada, até podíamos ficar indiferentes, pois é óptimo para os trabalhadores receberem mais dinheiro na situação de requisitados, do que quando estão com contratos a prazo, e o estado, esse estado impessoal e que ninguém sabe o que é nem quem é… que se lixe!...

Pois é, numa altura em que se fala no fim anunciado da segurança social e da crise que nos assola, ninguém sabe quem são os culpados, e como sempre, essa tem que sobrar para os governos. Mas, será só deles?... É claro que têm a sua quota-parte no que diz respeito às medidas legislativas e de fiscalização. Mas, e nós?... que diariamente convivemos em silêncio com esta e outras situações bem conhecidas de todos, não teremos também a nossa quota-parte de culpa?... Estou certo que sim!... Mas será que todos temos a liberdade ou então, estabilidade económica e financeira que nos permita a ousadia dessa denuncia… Talvez não!...

É, ao reflectir neste tipo de situações que muitas vezes penso viver num país livre, de homens livres, mas muitas vezes de mãos atadas…

CT

Atenção: não sou o autor do artigo mas, por enquanto o seu autor pediu anonimato...

3 comentários:

Montellano disse...

Os/as portugueses/as ainda não perceberam que o Estado somos todos nós; que são aqueles que pagam impostos, directa ou indirectamente, que mantêm os subsídios de desemprego e afins. Porque, quando começarem a ensinar nas escolas este raciocínio e como tudo se passa na realidade, as atitudes relativamente a situações como a descrita e outras vão começar a mudar. Ai vão, vão!!
Mas, por enquanto, ninguém explica!!!

Anónimo disse...

Claro que todos temos culpa porque sabemos e calamos e não temos coragem ou talvez medo como o autor deste post, de fazer as denuncias.Pois Carlos, preocupam-me muito mais as fábricas a fechar, o desemprego, a segurança e os constantes ataques a quem trabalha.Aqui é que está o desmoronamento da sociedade portuguesa.
Ag

Anónimo disse...

Ah! Isto poderia ter sido escrito por mim! Sou vítima dessa situação há 5 anos! As pessoas não compreendem como é possível mas olhem que é. Promessas e mais promessas, é só mas um vez, e depois continua-se na mesma situação, sem condições nenhumas e tendo um trabalho de alta responsabilidade, como é o meu caso!

Isto merecia ir parar à televisão.