dezembro 14, 2004

Qual terramoto?

Depois do excelente post que o JC pôs sobre terramotos e depois de ver e ouvir as notícias fiquei surpreendido por ter havido um sismo e eu não me ter apercebido. Então pensei, onde estaria? Estava com uma turma dum 5º ano do 2ª ciclo e logo apercebi-me porque não tinha sentido o sismo. É que estar a dar aulas a turmas do 5º ano é como estar em constantes terramotos. Estas turmas são constituídas por uma heterogeneidade de alunos com diferenças muito acentuadas a nível de aprendizagens e comportamentos. Parte dos alunos não têm regras e por mais que se alertem os pais, as coisas não melhoram, porque alguns pouco se importam com o comportamento dos filhos. São regras básicas que em casa não têm e transportam-no para a escola, estando esta em constante alvoroço (participações de todo o feitio).
Também existem os alunos com deficiências mentais que estão integrados nas turmas e que para os manter ocupados ou tentar acalmá-los leva a que haja perturbações na turma e a furar algumas regras que aos outros não são permitidas. Um deles que a qualquer momento começa a gritar que quer ser “bombeiro” e quantos estratagemas já não foram tentados para o manter calado e quieto. Outro que resolve gritar que quer dar uma “queca”, o que se pode fazer sem alterar o normal funcionamento da aula? Depois há os que dizem, professor se o Paulo pode falar assim porque é que eu não? No meio deste panorama existem aqueles que até são interessados e querem ir mais longe só que…é preciso atender a todos.
Não me admira por isso, uma notícia no Primeiro de Janeiro que dizia que o ensino público está a perder alunos para o ensino privado. É que as regras são outras e quando as coisas não estão bem têm o poder de alterá-las.
Pois, com uma barafunda destas como podia sentir o sismo!..

Ag

11 comentários:

Anónimo disse...

Caro Agostinho. Claro que sente. Com um clima desses, voce está num dos epicentros. Faltou-me falar no grau do Ensino! JC

Anónimo disse...

Estou a ver porque muitos se queixam que dar aulas não é uma pera doce.É que se fosse só ensinar estaria tudo bem mas com casos assim será muito dificil.Sei muito bem porque é que os pais estão a escolher o privado. José

Montellano disse...

Caro Ag.,
Compreendo perfeitamente o que diz, de facto não é fácil dar aulas a alunos tão diferentes e, ainda para mais, com deficiências mentais.
No entanto, permita-me que lhe diga o seguinte: alunos que não têm regras em casa podem ter regras na escola. Tal como alunos numa escola sem regras poderão tê-las em casa. Quando escola e família começam a passar a "batata quente" é que é pior.
Por outro lado, se os alunos querem saber porque não podem "falar assim" (suponho que como um deficiente mental), porque não responder directamente: porque será que X tem esse comportamento? consideras-te igual ao X? então não podes ter o mesmo comportamento que ele.
Longe de mim querer estar para aqui a ensinar-lhe alguma coisa, considere, por favor, uma partilha de experiências.
Pôr em prática as tão faladas inclusão e diferenciação pedagógica dá muito trabalho, chega a ser esgotante. Mas eu dou, sinceramente, os meus parabéns aos que o fazem.

Anónimo disse...

Hummm… não sei o que dizer, nem se dizer… parece-me (pareço-me) estranho ter que comentar um texto como este… enfim, serei rápido: Sr. Professor, se não quiser “perder” tempo com os pais dos seus alunos, se não perceber que um cidadão com deficiência pode ser, também, educado (e olhe que sei do que falo), faça um favor (uma regra básica da coerência), desista. Olhe, já que chuta para canto com essa facilidade, experimente a prática do futebol (os campeonatos distritais são um mundo à parte).

DP disse...

Para Montellano:
Caro amigo/a, gosto da partilha de experiências e aceito de bom grado tudo que seja de bom para os alunos, apesar de só dizer mal de uma constatação minha e não deixar nada de novo. Não me considero ofendido, até pelo contrário, agradeço a partilha, mas vamos às conclusões: Não estou a passar a batata quente para os pais, porque tenho por eles muita consideração até porque sou pai na mesma escola e repito ser pai não é só pô-los no mundo é também responsabilizar-se por eles e dar-lhes as oportunidades para que tenham sucesso na vida.
Quando falo nas regras digo que são alunos do 5º ano e por isso garanto que quando forem para o 6º ano pelo menos as regras estipuladas pela escola já as saberão. Também quando falo nos alunos com deficiência, só estou a constatar um facto que é não concordar com o ministério da Educação neste tipo de integração. É como despejar alunos na escola e deixá-los andar à espera que os anos passem para saírem novamente da escola sem qualquer tipo de aprendizagem específica de acordo com a sua deficiência. Se julga que já não foram tentadas todas as estratégias e para mais a elementar que propõe vê-se logo que não sabe do que se trata.
Ag.

Anónimo disse...

Caro anónimo:
Uma das regras básicas da boa educação é que quando se comenta sobre algo que não sabe..deve pelo menos identificar-se. Porque se esconde no anonimato? Compreende que não merece o minimo de consideração.
Ag

Montellano disse...

Caro Ag.,
Eu concordo com a integração de alunos com Necessidades Educativas Especiais em classes regulares. O Ministério da Educação peca num aspecto: não dá a formação adequada aos professores e restante comunidade educativa para que a inclusão seja eficaz.
Ainda bem que já tentou muitas estratégias (até a mais elementar, que referi). Porque é que elas têm falhado, eu não sei. O Ag. sabe?
A Montellano

Anónimo disse...

Parece-me que quem diz o que sente, sente depois na pele a teoria do politicamente correcto. Se vocês têm filhos, por acaso perguntaram a eles como é que estão a correr as aulas? Nunca os vossos filhos disseram que o professor x quase não deu aulas só para atender os alunos que decidiram boicotar as aulas. Nunca vos disseram que o professor pouca matéria deu porque os alunos são muitos e ainda por cima teve que atender casos especiais. Nunca vos disseram que gostam muito da escola mas é pena que haja alunos muito mal-educados e que o professor está sempre a chamar-lhes a atenção. Já por acaso perguntaram aos vossos filhos se concordam com alunos que por serem especiais o professor tenha que estar sempre a apoiá-los e deixe de apoiar os outros porque como se sabe estes monopolizam o professor. Já alguma vez reflectiram se querem fazer a diferença nas escolas nivelando por baixo? As coisas tem que ser ditas tal como são e não como politicamente correctas. Eu acredito no ensino público e acredito que podemos ser melhores e não os bobos da Europa. Nivelar sim mas não por baixo.
Pedro Arruda.

Anónimo disse...

Parece-me que existe muita gente que fala de cor. Se tivessem filhos a queixarem-se talvez não falassem assim. Julgam que as teorias aplicam-se como vêm nos livros cor-de-rosa.Concordo um pouco com o último comentador.Pedro Sá.

Montellano disse...

E a maioria não tem filhos deficientes - ainda bem!

DP disse...

Cara Montellano:
Por acaso não fui eu que sugeriu estratégia tão elementar, por isso não sou eu a dizer-lhe porque têm falhado!Porque não pergunta a quem fez a integração?Duvido que saibam a resposta.Já agora digo-lhe que sou a favor de uma concepção de escola democrática, de qualidade, inclusiva, humana e não a favor de uma escola sem regras,desumana,sem qualidade e que a inclusão é apenas uma fachada.
Ag