dezembro 14, 2004

EDUCAÇÃO ESPECIAL: REFLEXÃO OU UM DESABAFO...

A escola actual tem de promover TODOS e cada um, tem de fomentar o êxito e valorizar as diferenças.
Uma escola para todos só pode ser entendida se tiver recursos para a todos atender. Enquanto Docente Licenciada no 1ºciclo e Especializada em Educação Especial, a desempenhar funções de Apoio Educativo preocupam-me as questões relevantes ao Bom Atendimento dos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e/ou deficiências face à realidade que observamos no dia-a-dia, as práticas educativas e o desempenho do professor titular de turma que integram alunos com problemas graves/deficiências, nomeadamente Deficiência Mental, no âmbito das sensibilidades específicas de intervenção adequadas à diferenciação. Actualmente em Portugal, a Educação Especial (EE) está a atravessar um período de mudanças. Mudanças que, à partida poderão trazer benefícios para as crianças e jovens mas também irão questionar algumas práticas educativas. Outra preocupação crescente decorre do aumento do acesso à educação, com implicações no desenvolvimento da eficácia do sistema educativo, na tentativa da resposta mais eficaz à diversidade isto é, a melhor qualidade do ensino para todos os alunos. Muitas destas preocupações exigem, por parte das várias entidades: Estado, Escola, Família e Comunidade, um conjunto de responsabilidades, de medidas legais e diferentes orientações, face aos novos conceitos que caracterizam a Escola Inclusiva (EI), uma vez que o princípio de Inclusão tem como primeiro objectivo uma igualdade de oportunidades, para todas as crianças e jovens com NEE, com garantia de lhes ser proporcionada a educação no quadro do sistema regular de ensino. Esta conjugação de esforços é fundamental na "inclusão" destes alunos na Escola Regular, para ser possível mudar atitudes e práticas pedagógicas, conseguindo-se deste modo construir a tal "escola inclusiva" de que tanto se escreve e fala.
Em relação à questão da inclusão de crianças com Deficiência Mental preocupa-me como professora "inquieta" e "atenta" saber:
· Como podem os professores assegurar uma aprendizagem de sucesso na Escola Inclusiva?
· Que conhecimento científico têm os professores do ensino regular sobre deficiências e/ou NEE, para perceber minimamente a problemática que caracterizam especificamente estes alunos?
· Se estão sensibilizados e disponíveis para alterar o papel do professor, que se pretende mais activo no processo ensino-aprendizagem, que a EI preconiza?
· Se aceitam a "diferença" assegurando uma aprendizagem de sucesso, procurando aperfeiçoar e adquirir competências pedagógicas capazes de responderem às necessidades destas crianças?

Quero acreditar que a Escola Inclusiva não é uma utopia.
A Escola do Futuro só pode ser tão boa quanto os seus profissionais.
Eu...nós professores de educação especial estamos conscientes que, para se desenvolver uma verdadeira "Escola Inclusiva", considerada uma "Escola de Qualidade", uma "Escola de Todos e para Todos", onde haja efectivamente igualdade de oportunidades educativas e sociais, ainda temos de enfrentar muitos desafios políticos, económicos, sociais e culturais face à Educação.
"A Educação é uma forma de intervenção no mundo. (...) Implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento.
(Ela é) dialéctica e contraditória (...)"
Paulo Freire, 2000

Enviado por mail, por uma leitora devidamente identificada

LS

5 comentários:

Montellano disse...

Para a "leitora devidamente identificada":

Eu ACREDITO que a Escola Inclusiva não é uma utopia. O caminho a percorrer ainda é longo, mas conheço escolas que praticam a inclusão com eficácia. Porque desenvolvem projectos com pés e cabeça. Porque as NEE de alguns alunos são explicadas (ainda que de modo informal) a toda a comunidade educativa: desde os professores, à cozinheira e auxiliares educativas.

Como já comentei no post anterior, o Ministério da Educação tem que começar a apostar mais na formação dos professores. São eles os principais "actores" da inclusão nas escolas.

A Montellano

Miguel Pinto disse...

Como promover a inclusão num modelo de escola tendencialmente piramidal de ideologia exclusiva?

Anónimo disse...

Cito o que diz"Que conhecimento científico têm os professores do ensino regular sobre deficiências e/ou NEE, para perceber minimamente a problemática que caracterizam especificamente estes alunos?" Será passar um atestado de incompetência a todos os professores do ensino regular?Porque acabaram com as escolas especiais que tão boa conta estavam a dar do recado.Vejo que há muita gente interessada neste modelo e que querem substituir os próprios psicólogos.Castro.

Montellano disse...

Quem tiver um filho deficiente com certeza prefere que ele esteja numa escola de ensino regular. Os deficientes são cidadãos como todos os outros, têm os mesmos direitos, nomeadamente o direito ao ensino.

Kelia disse...

Sinceramente...se eu tivesse filhos e esse tivesse necessidades cognitivas especiais eu temeria em matriculá-lo em uma escola publica regular de minha cidade.Sou professora e vejo a dificuldade em lidar com esse publico.Simplismente os profissionais nao se sentem capazes de adaptar o ensino a essas crianças.